O que fazer em dias de chuva?

September 10th, 2009

Depois do temporal devastador que rolou na terça feira pós-feriadão a pergunta que ecoa em minha mente é:  O que fazer em dias de chuva?

Pense você que está aí em casa, morgando como eu e lamentando a terrível falta de grana, o desemprego, a injustiça do mundo e matutando sobre as possibilidades de lucrar vendendo Dorgas,  como poderia se divertir num dia de chuva caótica como o que passou? Ensinarei então os passos para a alegria num dia tão deprimente.

Gelo Radiativo

Choveu gelo, o que fazer? Se divertir, é claro!

Um dos primeiros passos a tomar quando rola uma chuva simpática de granizo, é sair na rua para ver se levar uma pedrada de gelo do céu dói. Depois de constatar o óbvio, aproveite. Reúna o máximo de amigos miseráveis que tiver, arranje uma caixa de isopor e recolha todo gelo possível, afinal, vocês poderão ter a tão sonhada geladeira improvisada por pelo menos uma semana.

granizo
Óia mãe, tá chovendo preda igual cristal!

Se você é o tipo mais abastado financeiramente, pode seguir a dica que o Thiago deu no twitter e distribuir groselha para os mendigos nas ruas. Adicione gelo picado e faça a alegria da fila do sopão. Raspadinha de pobre é o que há, galera!

E por fim, se você for o tipo preguiçoso que curte dormir mais de 18 horas diárias, aproveite para se refrescar nessa chuvinha de verão. Pegue aquele refrigerante que está há dias fora da geladeira, encha o maior copo que tiver e saia capturando pedrinhas de gelo radiativas na chuva.

Enchente não, piscinão!

A rua da sua casa alagou? Seu bairro inteiro está debaixo d’água? Sua cidade agora é conhecida como a nova Veneza? Não fique triste, veja o lado bom: Nunca mais você precisará ir nadar na represa.

Aproveite que a água já está quase na beira de seu telhado, suba lá e pratique suas aulas de natação, dê mergulhos carpados de cabeça no caldo da cidade!

Churrascão e piscina em plena quarta-feira, quer melhor?
(foto via http://freaklink.com.br)

Desabamento de terra

Quando você achava que passar o dia em cima do telhado esperando a enchente baixar, levando granizo na cabeça e sem energia elétrica era ruim, acontece algo para piorar: o morro logo atrás da sua casa desmorona e enche tudo de barro. Hora de entrar em estado catatônico? Não! Não desista, aproveite para curtir as férias que você sempre sonhou.

Lembra de quando você tinha dinheiro e queria muito ir passar as férias numa praia, aproveitar o sol e as dunas para praticar o famoso skibunda? Agora é a hora!

Skibunda na versão light: Areia? Meh.
Deslize no morro se tiver coragem!

Sempre que rolar um desmoronamento, corra para pegar o papelão mais próximo, escale o que restou do morro, posicione-se no topo da ex-montanha e desça para a vitória! Skibunda na areia é para os fracos, o grande barato é surfar no barro.

Espero que tenham aproveitado as dicas para dias de chuvas torrenciais que fatalmente destruírão a cidade. Sintam-se a vontade para deixar novas dicas nos comentários. E se alguém quiser testar, envie-me fotos. Quero poder rir também.

99 anos de Corinthians

September 2nd, 2009

99 anos99 anos de Corinthians. Sem dúvida, um dos mais comemorados, com direito a hotsites específicos (http://diadocorinthians.com.br/) e milhões de corinthianos por aí se manifestando,  indo trabalhar com o manto sagrado e pendurando a bandeira na porta das casas.

Posso dizer que sou corinthiana desde que nasci. Meu pai palmeirense até tentou me desvirtuar do caminho correto, tentando me comprar com uniformes e camisas do arqui-rival verde, mas se me lembro bem de algo da infância é a quantidade imensa de vezes que me neguei a receber qualquer presente relacionado a porcada, joguei camisa do palmeiras no chão ou fugi da porta do chiqueiro.

Comecei a entender futebol ao por volta de 94, já com 7 anos. Quase não me lembro do Neto jogando, por exemplo, mas lembro muito bem de Tupãzinho, Ronaldo, Marcelinho e por aí vai. Em homenagem aos 99 anos de Corinthians, vou fazer uma galeria de imagens a partir do momento em que estive ao lado do Timão. São apenas 22 anos de devoção, mas o bastante para dizer com plena certeza que o Corinthians é minha vida.

Corinthians 94Corinthians – 1994

tupazinhoTupãzinho, o Talismã da Fiel

copa_95_2Copa do Brasil – 1995

Corinthians96Corinthians – 1996

ronaldo

Espaaaaaaalma Ronaldo!

Corinthians_1997Corinthians – 1997

1998 CorinthiansEdílson Capetinha infernizando em 98

1998 Corinthians
Gamarra, o deus da zaga – Bi Campeão Brasileiro 98

bras_99_2Finalíssima do Brasileiro 99 – Tricampeão

bras_99_399 – Marcelinho pé-de-anjo comemorando

edilsonEdílson Capetinha driblando o Real Madrid – Campeões Mundiais em 2000

Ricardinho 20012001 – O gol que valeu por um título. Ricardinho
marca no último minuto em cima do Santos.

rio_spRio-SP 2002 em cima dos Bambis.

copadobrasil2002Campeão da Copa do Brasil 2002

paul_03Liedson faz a festa em cima dos Bambis.
Corinthians Campeão Paulista 2003

jo2004 – Crise no Corinthians e parceria com MSI

tevez(13)Tevez artilheiro. Corinthians Tetra Brasileiro 2005
com direito a 7×1 nas viúvas do Pelé.

corinthians1x0depcali2006 – Campanhas ruins, ano ruim

Felipe-penalti32007 – Nem os milagres do Felipe salvaram
a desgraça que Dualib e diretoria fizeram.

fiel2007 – Mesmo na adversidade, a torcida apóia

chicao_corinthians_08112008_1Chicão, o zagueiro artilheiro. 2008, o ano da virada

corinthians-avai-4g2008 – O Coringão voltou, passeou pela série B e subiu
com várias rodadas de antecedência

090412cristian12009 – Corinthians Campeão Paulista

copadobrasil2009Ronaldo dá a volta por cima no Timão

Felipe2009 – Timão campeão da Copa do Brasil em cima
dos Cholorados

São tantas alegrias, tristezas e emoções que é impossível achar fotos para todos os momentos. Torcer para o Corinthians é algo inexplicável, é a melhor sensação que um ser humano pode ter. Parabéns Corinthians, pelos 99 anos de alegrias ao povo, por tornar-se essa religião que é o Corinthianismo, por ser mais que um time, por ser um conceito e o combustível da alegria dessa nação alvinegra.

Até dá para entender a raiva e inveja dos rivais, afinal, como atestou o Nando bambi Reis: “Grandes paixões não são fáceis de assistir para quem está de fora.”

“Ser campeão não é fundamental. Fundamental é ser corinthiano.”

“O Corinthians não teve começo, ele brotou; não teve meio, tem um presente que é uma lição; e, tão certo como a eternidade, jamais chegará ao fim.”

“O Corinthians não é só um time e uma torcida. É um estado de espírito.”
- Sócrates, após sagrar-se campeão paulista de 82

Arquibancada - copa do brasil 2009Corinthians do meu coração, tu és religião de janeiro a janeiro…

CNH – A saga (parte 1)

August 28th, 2009

Pois bem, decidi tirar uma carta de motorista novamente. Tentei isso há 4 anos atrás e, por conta de um instrutor filho da puta e um salário de fome, não consegui fazer novas aulas de direção e abandonei o processo todo.

Agora, depois de 4 anos pastando e sofrendo nos metrôs e ônibus da vida, decidi que já era hora de me livrar desse mal que transforma coelhinhos em T-Rex. Afinal, não há como se manter são utilizando transporte público.


O perigo se aproxima. Temam por suas vidas!

A primeira etapa do processo é o tal Pré-cadastro no Detran. Para mim, seria algo simples. Eu entraria numa sala aleatória, deixaria digitais, assinaria algo e pronto, fim. Mas não, tudo que envolve qualquer orgão público tem que ser tosco, tumultuado e com pessoas gritando.

Fui no Detran terça-feira e encontrei lá uma espécie de SUS, só que para futuros motoristas. Fila colossal, pessoas aglomeradas, uma gritaria infernal e horas e horas de espera. Quando achei que a coisa não poderia ficar pior, uma mulher que estava insana decide desmaiar, derrubando a divisória que protegia a fila e as pessoas fizeram o que sempre fazem em situações assim: Nada.

Ao invés de acudir a pobre diaba, aberrações surgidas do inferno começaram a gritar no maior estilo programa do Ratinho:  “SÓCÓRRÓ ELA DISMAIÔ GENTIII”. Assustador.

A primeira coisa a fazer quando alguém desmaia: Tumulto

A porteira para a alegria finalmente abriu e adentramos o recinto místico, depois de duas horas na espera: Um homem pegava o papel, carimbava e gritava: VAI VAI VAI!

O sistema era bem simples. Bastava escrever no papel o que o homem apressado dizia e assinar uma outra folha qualquer. Era um ditado básico, de 3 linhas somente. Mas mesmo assim as pessoas conseguiram falhar épicamente nisso e tiveram que receber ajuda para escrever. Anafalbetismo funcional existe e eu presenciei.

Por fim, tirei uma nova foto no Detran mesmo – já que a 3×4 que eu havia tirado no dia me deixou com cara de fuinha, pra variar – e me livrei da tortura mental que afligirá os novos motoristas do Brasil.


Foto-Fuinha. Um dia você terá uma

Agora o próximo passo é fazer o exame psicotécnico. Torçam para que eu não falhe como da outra vez, em que identifiquei por 3 vezes consecutivas a cor amarela como azul. Não me perguntem como fiz isso, mas eu consegui!

Falta pouco para o perigo chegar as ruas, então temam: Se alguém passar de carro xingando vocês na rua com um megafone, sou eu \o/.

Onde está o Belchior?

August 26th, 2009

ondeestabelchior

Depois desse tempo todo enrolando, decidi estrear o blog. O tempo livre que tinha, estava todo dedicado ao Twitter, minha nova fonte de risos diários. E aproveitando minha atual fase ociosa, sem emprego e sem nada para fazer em casa, decidi fazer montagens aleatórias.

Aparentemente Belchior, o dono do bigode mais bizarro ever decidiu sumir há 2 anos atrás, e os fãs só notaram agora. A notícia ganhou a mídia, com direito até a mapas de lugares em que ele foi visto.

Eis que na segunda-feira, como de costume, eu estava sem fazer absolutamente nada  e o Thiago, me deu a idéia de fazer uma montagem no estilo “onde está Wally” em homenagem ao sumiço do Belchior. Eu, que adoro fazer montagens, não perdi tempo, lancei a montagem abaixo no twitter e corri pro abraço:

ondeestabelchior_thumbClique para ampliar

A partir daí, tive meus 15 minutos de fama. Todo meu talento – fruto do ócio – finalmente foi reconhecido, e minha montagem ganhou o mundo. Não esperava por isso, é claro, mas geral retuitou isso e a imagem figurou em sites diversos como o da MTV e Revista Época, fora algumas “kibadas” aleatórias por aí, mas o que vale é que eu tive meus minutos de fama e minha alegria de pobre!

De volta!

April 17th, 2009

"Eu volteeeeei… agora pra ficar…"
Robertão praticando hadoukens, lançando spots de luz pela mão

Fiquei mais de um mês sem postar mas não desisti! Ainda estarei aqui para escrever e infernizar vocês com meus textos toscos que eu sei que vocês adoram (cof cof).

 Há inúmeros motivos pelos quais deixei de postar. Zicas, stress, paranóia, dedicação aos treinos, sono excessivo e preocupações com as coisas reais da vida estão entre eles.

Existem também algumas versões alternativas para meus dias de sumiço. Uma delas é algo sobre eu ter ganho na loteria. Dizem por aí que passei o último mês viajando por pitcairn ilhas tropicais. Outros dizem que comecei meu próprio stand up comedy e passo o dia fazendo roteiros super elaborados*** para meus shows de comédia ranzinza.

Acreditem na versão que mais agradar, porque todas são verdadeiras… NOT!

Resumirei meu último mês: Fiz 510432 entrevistas, xinguei e praguejei contra RH’s das empresas, mesmo sem grana fui acampar em Boiçucanga e fui atacada por insetos mutantes, arrumei um emprego da hora a 10 minutos do Parque São Jorge (rááá \o/), fui viajar para Monte Verde/MG e hoje completo um mês de trabalho na nova empresa. Ótimo!

Pois bem, to de volta! Comemorem porque o fim de semana será rechado de posts!

…e de memes insanos que só eu acho graça:


DORGAS MANO!!111

A difícil vida dos vilões #1

February 11th, 2009

Desde que vi Silent Hill no cinema comecei a pensar sobre a vida dos vilões. Durante o filme, ficamos impressionados com a cena em que o protagonista desse post – e um dos vilões do filme – arranca a roupa e a PELE de uma velha histérica que tentava desesperada fugir do mau humor do monstro em questão.


Eis uma das mais hilárias cenas de terror

Apresento então a vocês o Pyramid Head:

Puto com a vida, como sempre
É compreensível que um dos monstros/bizarrices do filme seja sempre puto com a vida, irritado e agressivo. Vejam, o cara tem um ferro de passar roupas na cabeça, preso a ele pela eternidade. Usa uma saia ridícula, feita com retalhos da cortina engordurada da cozinha e ainda por cima tem como único utensílio uma faca gigante. Gigante.

Ok, vamos narrar a tristeza desse ser em partes, pois deve ser terrível estar na pele desse cara. Tudo bem que uma faca gigante seria útil em algumas situações, imagino um diálogo corriqueiro:

- Olha, essa arte está boa, mas você não poderia mudar essa cor pra um azul mais… claro? Não tão claro… mas um azulzinho assim, sabe?
- NÃO!!! Não sei, porra! *destrói a pessoa com uma faca gigante*

Mas fora isso, imaginem como deve ser para esse cara passar manteiga no pão? Com aquela faca gigante o máximo que ele poderia fazer é arrancar a manteiga da realidade, numa passada só, sem nem dar tempo de chegar no pão.


Café da manhã FAIL.
Pyramid Head segue seu dia muito puto, pensando em pelo menos ter um almoço decente. Imaginem então um prato com uma picanha, arroz e feijão fresquinhos… Mas ele não pode cortar a carne com uma faca gigante. Cortaria a mesa ao meio, no mínimo, para não exagerar. E então ele segue sua vida, falhando épicamente em tentativas de se alimentar.

Falhando em cortar carne no almoço, again
 
É claro que um cara assim fica puto com a vida. Não só puto com a vida, mas com todos ao redor. Ainda mais carregando uma faca gigantesca, fazendo um barulho dos infernos ao arrastá-la. Sempre falha nas suas tentativas de comer, provavelmente só lhe resta comer um boi INTEIRO, quando muito.
Além do que, quando consegue algo que possa comer sem destruir completamente antes, se lembra que tem um singelo ferro de passar roupas na cabeça e desiste. E só para piorar ainda vive num lugar cheio de almas perdidas e histéricas. Assim até eu cortava todo mundo ao meio.
É muita desgraça para um monstro atormentado só. Vilão sofre!

Pyramid Head loves you

Carne de Mortadela

February 11th, 2009

Então que no fim de semana, após uma pesquisa intensa e declarações de profissionais sobre o Jiu Jitsu, decidimos tentar ficar sem comer carne vermelha por uma semana. Não pelas ideologias ridículas dos vegetarianos toscos sobre matança de animais e o diabo, sinceramente nunca pensei nisso enquanto comia uma suculenta picanha, mas o fato é que precisamos render mais nas aulas e também precisamos de um melhor condicionamento físico. Para tanto, cortar a carne vermelha por alguns dias seria uma ótima opção.

Eis que logo no primeiro dia de abstinência da sagrada carne vermelha, surge alguém me oferecendo um lanche de pão com mortadela. MORTADELA!!! Pão com mortadela deveria figurar no Top 10 de comidas mais gostosas do mundo, é perfeito. Eu tentei mas não pude resistir e aceitei o lanche de bom grado.

Logo fui bombardeada com olhares-laser e veio a dúvida: Calmae, mortadela é carne vermelha?

Lógico que a primeira coisa que disseram foi aquela coisa toda que a Wikipédia insiste em divulgar: "Mortadela é um embutido feito de carnes de diversos animais, especialmente suínos e bovinos, e cubos de gordura, geralmente do pescoço suíno." mas isso óbviamente é uma lenda urbana.

"Lenda urbana? Porra, como assim bátima?" você deve estar se perguntando. Pois eu vou explicar A VERDADE:

A grande verdade é que Mortadelas são animais. Animais daquele tipo que você nunca viu: Chesters, Tenders e… Mortadelas! Claro, Mortadelas, assim como esses bichos, nunca foram vistos por humanos comuns, só os carrascos tem contato com esses bichos.

Para provar minha tese, fiz uma tosca ilustração da vida das Mortadelas livres no pasto:


Mortadelas em seu habitat natural

O triste fim das mortadelas abatidas por malvados caçadores:


Mortadela abatida cruelmente
 
Agora, uma mortadela servida saborosamente no pão para a alegria da nação:

Portanto, com essas inúmeras provas, só posso estar convencida de que Mortadela tem um tipo de carne própria e não é carne vermelha! Estou livre para comer mortadelas loucamente o dia todo, finalmente! É… definitivamente acho que não sirvo para tentar ser vegetariana.

Uma bilada, cino!

February 2nd, 2009

Estive sem inspiração ácida suficiente para iniciar outra leva de posts da série "No dos outros é refresco" e decidi contar algo sobre mim. Afinal, aposto que deve ser mais legal ler zicas sobre mim do que sobre os outros que foram sacaneados por mim.

Enfim, hoje contarei algo sobre um lugar que fui há uns 2 anos atrás que tinha um nome não muito convidativo: a DANGER.

Ao ter ouvido o nome pela primeira vez eu já deveria ter me ligado que não se tratava de um bom lugar. Mas como não saía de balada há muito tempo com o pessoal da época de escola, achei que não deveria ligar muito pro nome da balada.

Aconteceu tudo muito rápido. Meu amigo sem noção me ligou durante a tarde e disse algo amistoso:
- Meu, tem uma balada muito legal que eu fui semana passada, vamo aí! Chama seu namorado também! A música é boa, o pessoal da balada é gente boa e pra você ter idéia semana passada o gordão conseguiu pegar uma mina. Tudo bem que era uma véia, mas ainda assim ele desencalhou. Temos que ir pra zoar ele.

Pausa aqui para explicar que o gordão é o amigo virgem do grupo. E ele tinha 20 anos na época. Virgem e encalhado. E de fato, se o gordão ficasse com uma velha na balada, eu não poderia perder a oportunidade de presenciar a cena e zoá-lo até a morte.

Prosseguindo:
Chegou a noite, marcamos de nos encontrar próximo ao metrô porque lá conseguiríamos uma carona. E eis que chega um Fiat Tipo bizarro com 4 pessoas dentro. Estavamos em 3 esperando a carona, então seriam 7 pessoas que tentariam entrar no Fiat. Terminou que tivemos que ir amontoados e ouvindo os protestos bizarros do meu amigo:

- "Oh meu deus, o que é isso na minha bunda???"
- "É a carteira que tá no meu bolso!!!"
- "E agora, o que é isso?"
- "Sei lá, já tirei a carteira…"

Chegamos no Centro, próximo a Anhangabaú/República. Vale lembrar que não é o lugar mais convidativo de se passear durante a noite, visto a quantidade de nóias, putas e travecos que perambulam por ali. O cara que dirigia parou numa das esquinas e um dos que estavam no carro (e até o momento eu não conhecia), o Orelha, abriu o vidro, colocou a cabeça pra fora e chamou uma espécie de traveco-alien para pedir uma informação: "Ae linda (!!!) você tem Flyer pra Danger?" e o traveco apontou bichosamente um outro cara mais a frente. Naquele momento eu tive medo. Pavor. Terror. Putaquepariu estavamos pedindo flyers para TRAVECOS? Já vi que ia dar merda…

Comecei a reclamar e disseram pra eu não me preocupar, que era uma boate GLS mas ninguém mexia com ninguém. Ok, pensei, me fodi. Isso foi seguido de minutos infinitos de alopração ao Gordão e ao meu outro amigo, que eu acusava de terem ficado com travecos na balada.
O próximo cara que o traveco tinha apontado nos deu 423432 flyers e seguimos para o local.

A frente da balada era uma portinha com um luminoso escrito "Danger", passamos de carro rapidamente e vi que tinha uma fila imensa para entrar. Descemos quase em frente e fomos para a fila. Aí que eu comecei a notar: o lugar era lotado de travecos. Muitos travecos. Travecos e gays, apenas.

Nada contra os gays, por mim cada um faz o que quer com a vida, mas de fato uma balada gay não é algo que eu gostaria de frequentar. Como já estava lá, não tinha como fugir e comecei a resmungar. O tal Orelha começou a xavecar os travecos na fila e depois virava para nós e dizia que "era zoeira". Não contente em "zoar" os travecos, ele chamou um outro cara que tava no carro e que até o momento eu também não conhecia, para zoar junto. O tal Claudião ficou meio irritado com o fato de xavecar travecos, e mudou de assunto dizendo que era macho, que era da Mancha Verde, de uma facção da torcida organizada chamada "Hamas". Apesar de hoje o Hamas ser famoso, há uns 2 anos atrás não era tanto. Essa informação será valiosa algumas linhas a frente, no texto.

Entramos no lugar e a música era um tecno padrão com uma quantidade infinita de bizarrices. Realmente tinha velhas por lá, só restava saber se eram travecos. Se fossem, pobre gordão, acho que ele deu seu primeiro beijo num travesti.

Meus amigos começaram a dançar e eu me limitei a dançar com meu namorado enquanto reclamávamos e conversavamos. A galera começou a zoar, o amigo que me convidou sempre reclamando que ia ficar sozinho e que "tinha muito bicha" na casa aquela noite. Não contente em reclamar, eventualmente ele gritava coros pedindo mulher na casa. Imaginei que ele levaria uma surra dos viados e fingi que não o conhecia.
O tempo lá era interminável, eu não via a hora de ir embora e estava ficando abismada com o fato de meus amigos estarem dançando e se divertindo muito até aquele momento. Parecia uma grande pegadinha onde todos de uma hora pra outra decidem fingir que são viados. Assustador.

Para piorar minha situação, um tempo depois surgiram 43432 Gogo boys dançando pra todo lado, as bichas tiraram a camisa e meus amigos, incrívelmente, sumiram na pista e nos deixaram no canto. Eu não podia olhar para nenhum lugar, afinal, se olhasse, certamente ia ter que ouvir uma crise de ciúmes abrupta. Logo, eu me resumi a dançar e olhar para o chão, porque quanto mais eu fugia, mais nego semi nú aparecia.

Ainda não tinha chegado nem duas da matina (balada chata passa em slow motion) quando avistei os dois caras bizarros que estavam no carro – e o tal "macho" da Mancha Verde hahaha – dançando como bichas loucas no meio da viadagem, pareciam funkeiras no cio.
Quando finalmente encontrei meus amigos, implorei humildemente para ir embora daquele INFERNO mas eles me avisaram que teria um "show" no final, que ia começar logo, pra eu esperar. Pronto, agora além de tudo, ia ter que ver um "show" pra piorar.

Como já tive uma péssima experiência envolvendo sair da balada de madrugada, usar camisa de bandas de rock e skinheads irritados com gostos musicais alheios, decidi que era menos pior ficar naquele lugar do que sair e correr o risco de levar uma surra por gostar de The Smiths.

Antes de começar o tal "show" eu me concentrei em notar as bizarrices. Vi por exemplo, um negão mano, estilo 50 cent, que se eu visse na rua atravessava com medo de assalto passando com duas mãos surgindo de trás de seu ombro. Atrás, fazendo trenzinho, vinha um velho estilo baiano risca-faca, encoxando o gangsta. OMFG. Outra bizarrice foi ver um velho de seus 70 anos de idade dançando loucamente, cantando hits da Xuxa com um colar de plumas no pescoço. Além do não menos bizarro trio de viados que andava de coleiras interligadas por correntes.

Gaygsta: viadagem na humildade, tá ligado?

Para minha felicidade – ou não – o show começou e logo depois eu iria embora, FINALMENTE. Para meu desespero, era um show de desfile de travestis no palco, onde eles andavam como modelos até o meio da platéia no palco e voltavam, mostrando seus modelitos e perucas estranhas. O Traveco Fashion Week rolava e as pessoas aplaudiam e gritavam empolgadas, quando aconteceu algo bom naquela noite horrível:


Morri!
 
O mais importante dos travecos apareceu para desfilar, andou firmemente pelo palco até o meio da platéia, deu aquela viradinha para voltar e… CAIU! Se espatifou, quebrou o salto e caiu de cara no chão. Aquela cena até hoje passa em slow motion na minha cabeça. Naquele dia sonhei em ter uma câmera acoplada no meu olho para poder filmar aquilo. Ri demais, ainda mais pela pompa toda do traveco seguida pela queda com aquelas plumas e rendas voando pro alto e depois ele levantando com a peruca toda torta. Chorei de rir, se eu fosse velha, teria mijado de tanto rir.

Infelizmente o resto da platéia não tinha senso de humor e eu recebi centenas de olhares dardejantes e reclamações sobre meu comportamento desrespeitoso com a queda do traveco.

Como tudo que está ruim pode piorar, na hora de ir embora sentei na escadaria da saída para esperar a carona e senti algo… molhado no chão. Vi que era um amontoado de vômitos que quase receberam mais um para coleção. Desgraça pouca é bobagem.

Com isso tudo aprendi 3 coisas: a) Nunca ir para baladas com nomes toscos. b) Se for, sempre tenha dinheiro para voltar de táxi ou de helicóptero e c) Travecos não tem senso de humor.